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  Burocracia tributária já incomoda até quem lucra com ela

Fonte: Sintaf/RS  |  Data: 19/01/2007 
 
 

Marianna Aragão

SÃO PAULO - O peso dos impostos e o excesso de burocracia na área tributária aumentou tanto nos últimos anos que já começa a incomodar até mesmo as consultorias especializadas em assessorar os empresários na administração da sua contabilidade fiscal. Segundo estimativas feitas pela Lumen IT, empresa de tecnologia e consultoria tributária que atende a mais de 120 companhias, as empresas brasileiras gastam hoje até 5% da receita bruta para atender às exigências da Receita Federal e secretarias da Fazenda dos Estados e municípios.
As despesas, que ajudam a inflar o chamado "Custo Brasil" , incluem contratação e treinamento de pessoal, aquisição e desenvolvimento de softwares de administração de impostos e contratação de consultorias externas.
"Eu vivo dessa encrenca, mas não me conformo, pois o excesso de burocracia emperra o crescimento do País", reclama o economista Werner Dietschi, presidente da Lumen. Segundo ele, o custo das chamadas obrigações acessórias - que envolvem a entrega de informações em meio digital para o Fisco - aumenta desde 2000, quando o governo tentou padronizar o sistema de troca de dados entre as Fazendas.
Com a mudança, o número de campos a serem preenchidos nas demonstrações fiscais, por exemplo, passou de 500 para 1.800. Hoje, esse número já é de 2.200. "A automação, que deveria simplificar, acabou se tornando um enorme ônus para as empresas", afirma Dietsch.
Para se adaptar às novas exigências, muitas tiveram que aumentar pessoal e contratar assessorias externas. A JohnsonDiversey, por exemplo, multinacional especializada em higiene industrial, gastou R$ 100 mil com empresas de assessoria fiscal. Esse valor era de R$ 40 mil em 2003.
Além de dinheiro, as empresas também perdem tempo com o excesso de procedimentos tributários. Um relatório do Banco Mundial, que pesquisou o tempo gasto para pagar impostos em 175 países, mostra o Brasil na última posição. As empresas brasileiras gastam, em média, 2.600 horas - o equivalente a 108 dias - por ano nessa atividade.
Na JohnsonDiversey, há um funcionário encarregado de ler tudo que surge sobre legislação fiscal. De acordo com o coordenador fiscal da Johnson Diversey, Roberto Alves, o tempo gasto é de 500 horas por ano.
Mesmo lucrando com a burocracia - sua empresa dobrou o faturamento nos últimos dois anos e deve dobrar novamente nos próximos dois -,o diretor da Lumen IR, Weiner Dietsch, se diz impressionado com os números: "Se a burocracia fosse reduzida para um terço do que é hoje, ainda assim teríamos trabalho", afirma.

Fonte: O Estado de São Paulo



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