Ao apresentar o Programa de Aceleração do Crescimento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez duas cobranças públicas. A primeira, pela continuidade da queda dos juros, foi dirigida ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. "O mercado está esperando uma redução da taxa Selic, a continuação, viu, Meirelles?", afirmou, provocando risos na até então sisuda platéia da cerimônia. A segunda foi endereçada aos governadores e parlamentares, que discutem há quase uma década, sem resultados práticos, uma reforma tributária que simplifique a cobrança de impostos no país. "Nós gostaríamos de discutir com os senhores governadores e com os senhores parlamentares uma reforma tributária mais ambiciosa do que aquela que se encontra hoje no Congresso. Uma reforma tributária que realmente possa atender os anseios de simplificação, de desburocratização, de agilização das operações do setor produtivo, porque hoje nós temos um sistema tributário complexo, muito diversificado, que atrapalha a produção", discursou Mantega, sem entrar em detalhes.
O ministro não disse, mas sonha com a unificação de tributos como ICMS, IPI, Cofins e PIS em um Imposto sobre Valor Agregado, o IVA. Em entrevista a Terra Magazine, o secretário nacional de Política Econômica, Júlio Sérgio Gomes de Almeida, detalhou as intenções do governo federal. Segundo ele, a rediscussão da reforma tributária tem como objetivo completar o processo de desoneração sobre a produção no país, que avançou mais no âmbito federal que no estadual.
Sobre o PAC, o secretário concorda com avaliação de economistas de que é preciso elevar a taxa de investimentos de 20% para 25% do PIB para que o Brasil possa crescer 5% ao ano. O crescimento do investimento para o patamar de 25%, alerta ele, não pode ser garantido apenas com o pacote do governo, e não deve ocorrer antes de três anos.
|